Passado
atual

8.6.09

Busca na gringa Pode ser o perfil do personagem que seja muito específico (nem acho que é, mas...). Pode ser um grau de exigência maior que o normal, ou simplesmente o desconhecimento da nossa parte dos talentos escondidos por aí. Mas quando você começa a procurar um ator brasileiro pra protagonizar um longa, é impossível não dar um pouco de razão ao Hector Babenco (ainda que bater no cara do CQC tenha sido um exagero).
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 01:44 contato

7.6.09

O PRIMEIRO LONGA-METRAGEM A GENTE NUNCA ESQUECE



O filme dirigido pelo amigo Vitor Graize junto com os amigos William Sossai, Constantino Buteri e Hugo Reis teve pré-estréia linda e emocionante na última sexta-feira, no Cine Metrópolis, em Vitória. A estréia na televisão está marcada pro dia 18 de junho, na TV Brasil (23h), com reprise no dia seguinte na TV Cultura.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 20:59 contato

5.6.09

PERSEGUIR UMA MULHER NA FLORESTA, por Bertrand Bonello


O Pornógrafo (2001)

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 17:05 contato

20.4.09

Quando nossos bisnetos estiverem lendo a história dos primórdios do século XXI, é com coisas assim que se depararão Margarina Becel sabor Manteiga.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 06:16 contato

19.4.09

Hora e lugar Perdido pela distância do lançamento original e pelos discos outros que apareceram no caminho, eis que o cosmos (mais conhecido como o botão de shuffle do Ipod) agiu em favor do meu reencontro com o disquinho do Marcelo Camelo. Sou é para andar na feira da Glória num ensolarado domingo de manhã, com sacolas de fruta e peixe fresco na mão, cantarolando "Menina Bordada" alto o bastante a ponto de despertar a curiosidade de um verdureiro, pra quem se fica devendo uma cópia do disco "pra feira que vem" em nome de um desconto no preço do pimentão vermelho.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 17:03 contato

11.4.09

ADICIONAR AMIGOS ROQUEIROS NO FACEBOOK...



... É PARTICIPAR DE UM MEMORIAL ESPONTÂNEO PARA KURT COBAIN
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2.4.09

LENT, AVEC ÉTONNEMENT, LENT

A primeira vez que eu quis fazer um filme sobre os meus amigos foi durante a viagem de 30 horas entre Vitória e Porto Alegre, em janeiro de 2003, pro Fórum Social Mundial. Não havia mais que uns bancos no fundo do ônibus, um violão tocando músicas do Belchior e nós, cantando, e rindo, e caindo nos ombros uns dos outros na hora de dormir. De lá pra cá, cada novo reencontro em grupo me fazia pensar nessa coisa, mas era tão difícil pra mim entender o que se dava ali que a idéia de "capturar o espírito" do que quer que fosse me parecia quase desonesta. Meus amigos sempre foram material pra documentários que nunca filmaremos: eles permanecem nas fotografias, nas histórias que fomos acumulando, e na tentativa de explicar pros novos amigos que foram aparecendo pelo caminho o que, daquele grupo, parecia tão potente e tão digno desse registro que nunca existirá. Havia uma tradição, no entanto: por cinco anos seguidos, passamos as passagens do ano-novo juntos, com a configuração do grupo mudando de acordo com as condições de cada um na época (em Corumbá, 2005, éramos apenas 6, mas um ano antes, em Setiba, éramos mais de 15). A última vez talvez tenha sido a última de fato, a passagem para 2007. É um grupo formado a partir da universidade, um núcleo sem períodos e não necessariamente das mesmas turmas, mas que foi se formando em torno de interesses específicos - cinema sendo um dos fortes, seguido de perto por música e muita cerveja. Eu fui o primeiro a sair de Vitória, e depois foram todos se formando, arrumando empregos que exigiam plantões em redação de jornal ou viagens pra lugares distantes, e eventualmente até mudar-se pra esses lugares. 2007 foi o último ano-novo, e desde então me bate na cabeça aquilo que chamo entre os pouquíssimos com quem conversei sobre isso de "o filme de Burarama", um distrito de Cachoeiro de Itapemirim onde existe uma casa da família do Vitor L., que nos abrigou. Nesses dois anos e meio o filme de Burarama foi se moldando na minha cabeça, escrevi uns quatro argumentos diferentes, com mudanças muito radicais de um pro outro, até que chegasse ao momento (este, agora) em que já não bastam argumentos, em que o filme está tão formado que só pode nascer em forma de roteiro pronto e acabado. E esses dois últimos dias, ontem e hoje, serão lembrados por mim pra sempre como os dias em que se desfez algum nó muito grande que existia dentro de mim quanto a escrita de ficção. Não foram exatamente epifanias, nada desse tamanho. Mas a madrugada de ontem me fez muito mais carinho que a anterior (descrita uns posts atrás), e nela eu conheci um tal de Henrique, protagonista do roteiro da Paula que estou escrevendo, e Henrique me surgiu numa gravação de poemas do romeno Ghérrasim Luca lidos pelo próprio num francês sotacado, e a quem eu nunca tinha ouvido falar até ontem. Escrevi duas longas seqüências (as de apresentação do Henrique no filme) com uma facilidade que, em quase quatro semanas de trabalho, eu não experimentara ainda. Foi um dia feliz, e como sempre faço nos dias felizes, liguei pra minha mãe, puxei papo com amigos que há muito não falo, sai pra ver a rua, fui comprar pão de manhã. E, no fim do dia, fui assistir Moscou, o filme novo do Eduardo Coutinho. É um filme sobre um grupo de atores tentando criar intimidade com uma peça estranha num tempo curtíssimo, com uma câmera no meio disso. Fui logo sendo empurrado para fora (ou para através): não porque o filme seja ruim, pelo contrário, mas porque algo ali, que absolutamente não sei explicar, de repente me fez descobrir um abismo muito grande no filme de Burarama, e me obrigou graciosamente a mergulhar nele. Ontem o filme ficou pronto, tudo o que eu não sabia como resolver, em 80 minutos de projeção, se resolveu ali diante dos meus olhos. Tudo tem a ver, basicamente, com a imaginação de uma cena que não existia até então, uma cena que envolve uma ligação telefônica e um amigo que ninguém nunca mais viu. Na minha cabeça, eu escrevia: "João atende o telefone, uma voz que ele (e nós) reconhecemos do outro lado diz simplesmente: 'é ano-novo na Croácia!', e então João chora compulsivamente". Pensei nisso o dia todo, mas fui cumprir as obrigações outras da vida: tinha uma descrição de personagens pra entregar pra Paula, tinha dois textos pra entregar pra Cinética, e vamos lá. Só consigo escrever com música clássica ou jazz não-vocal tocando, porque outras palavras acabam me atrapalhando a descobrir as minhas próprias, e pus pra tocar as obras completas do Erik Satie, um trabalho de um pianista incrível chamado Jean-Yves Thibaudet. Terminei a crítica de um filme muito ruim, levantei da cadeira pra deixar o sangue correr pelas pernas e fui fumar um cigarro na janela até dar o tempo de voltar a escrever sobre o próximo filme (que, pelo menos, é muito bom). Nesse intervalo, começa a tocar a Gnossienne 1. Ouvi a primeira vez, debruçado na janela, acendendo o cigarro, e ouvi aquilo tocando no filme de Burarama. Na seqüência final, talvez. Pus pra repetir, e muitas vezes. E ouvi o telefone tocar, e não entendia porque estava tocando naquela hora, afinal o celular de ninguém funcionava ali em Burarama (vai ver porque tinha uma pedra enorme bem do lado da casa, bloqueando o sinal), mas atendi mesmo assim porque era um número diferente, enorme, que o aparelho não reconhecia, e quando atendi não sabia o que sentir ao ouvir todo o barulho e gritaria no fundo, e depois de uns poucos segundos sem voz nenhuma eu sabia que voz apareceria pela frente, sabia mas não podia acreditar na minha própria previsão, mas era ela, era o Max, depois de um ano sem nenhum contato, depois de um ano sem essa voz e sem o paradeiro, sem explicações, era o Max, e tudo o que ele fazia era gritar "é ano-novo na Croácia!", e quando ele terminou de dizer isso pela primeira vez, eu estava na porta da cozinha, o pessoal brincando de mímica na varanda, as meninas terminando de cozinhar a janta, e quando ele terminou de dizer isso pela primeira vez eu comecei a chorar compulsivamente, era alto e feio, e há quem diga que eu talvez estivesse gargalhando, mas eu duvido, porque era o Max, e todo mundo sabe como o Max não tem absolutamente nenhum senso de humor. Mas eu chorava com o telefone na mão, e agora era eu que gritava para todo mundo "é ano-novo na Croácia!", balançando o telefone no ar pra que todo mundo viesse ouvir aquilo que eu mesmo não podia nunca prever, mas que previra mesmo assim. E quando o cigarro terminou, e a vizinha da frente chegou em casa e fechou sua cortina pra que eu não a visse trocando de roupa, foi também o momento em que a Gnossienne tocou pela quarta vez, e nessa hora eu apaguei a luz e comecei a chorar compulsivamente, porque era eu o João, era a voz do Max na minha cabeça, e eu sentia saudades desse personagem que inventei, e eu sentia as lágrimas desse personagem que inventei, e João é agora meu amigo, e talvez só por isso eu finalmente consiga escrever o filme de Burarama.


posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 19:05 contato

1.4.09

DISCO DA SEMANA


Don Sebesky & the Jazz-Rock Syndrome (1968)
baixem aqui, pelo bem dos vossos quadris

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 10:43 contato

31.3.09

MILK


Gus Van Sant, 2008

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 07:44 contato

TE VISITAR COMO AMIGO

As pessoas me perguntam o porquê do blog andar parado, e eu digo que quando a vida está muito interessante nada me faz querer escrever no blog, mas é mentira. Primeiro porque a vida não está lá tão interessante: voltei a ter uma rotina, ainda que eventualmente marcada por crises de insônia como as de hoje - mesmo assim, rotina. Acordo, leio, escrevo, voltei a ir ao cinema. Segundo porque estou sem saber como escrever pra mim. O trabalho de crítico sempre foi um exercício para o ego, é claro, mas era antes pelos filmes que por mim que eu escrevia. A culpa era sempre dos filmes, e nos últimos tempos eles voltaram a implicar tanto comigo e me irritar a ponto de precisar escrever sobre eles. Há um ritmo ainda a se encontrar, mas depois de seis meses de inverno, puro inverno, pareço ter recuperado algo do vigor de antes. Algo só - mas algo já é o bastante para te levar para o inferno, diria um diabo sorridente. Estou empregado como roteirista de um longa-metragem de ficção, numa jogada que pode me custar outras tantas crises de insônia por aí. Adaptação de um livro do qual, combinamos, podemos desviar o quanto for preciso - e eu desvio, vou longe e quando volto já não estou aqui: mas se até agora tergiverso, tergiverso em nome de outrem, uma história que não é minha. E o blog devia ser este espaço, mas me peguei num caso seríssimo de autocensura esta semana. Existiram dois shows do Radiohead, e eu só saberia falar deles a partir de coisas que nunca foram ditas a ninguém, porque o Radiohead é a trilha sonora de tudo o que é surdo na minha vida, e que vá de retro a surdez quando se trata de um lugar lido por amigos que me ligam pra saber se estou vivo, por amores novos e antigos, pela minha mãe, por alguns leitores que acham graça dessa diferença do crítico marrento e do moleque blogueiro. Ainda é cedo demais pra se falar em verdade por aqui, convenhamos. Mas era o caso de escrever, pra mim pelo menos. Estou aqui numa madrugada de merda: MSN até as duas, fumar o último cigarro ouvindo Leonard Cohen, dormir vendo um velho filme dublado de James Cann, mas não dorme-se, e aí é The Auteurs tocando agora, mas abro a tampa do computador de novo, fico vendo trechos de filmes que não fiz, lendo blogs de uma gente que não conheço, e a música que vem à cabeça é "La Maison Dieu", mas por que alguém escutaria Legião Urbana no repeat às 6h40 da manhã? Ask the dumb guy runnin' my head. Vou escrever um monólogo de jazz pra fazer no teatro, é um banco e um microfone daqueles dos anos 50 na boca do palco, e eu contando histórias, até que no fim tem uma banda, um baixo, um piano e uma bateria, e eles tocam uma música que é o fim apoteótico da história desse cara que fui ali na boca do palco, na hora anterior, e agora é só questão de preencher esse espaço aí no meio, entre pisar no palco e deixá-lo. "Toda estréia é um sucesso", fico me lembrando disso, quero champanhe e putaria no camarim depois da estréia - traga esse microfone, ele pode ser útil. E tem um roteiro meu, e tem um romance meu, mas tudo que é meu tem que esperar até depois do último contracheque, porque não se paga a energia desse computador ligado por dias a fio apenas com boa vontade. Lembrei de um poema de um americano (ou seria inglês) que diz que para escrever é preciso limpar a casa, lavar as paredes, a louça, polir os móveis, que só nasce literatura da limpeza sacrossanta do ambiente em que ela se dará, e fico pensando se não é o caso logo de arrumar uma empregada e resolver meu bloqueio. Que seja alfabetizada - uma vez eu escrevi uma história de um músico que não conseguia terminar uma música, e então descia puto pelas escadas do prédio pra comprar cigarros, fazia um frio da porra (era Nova York, 1971, uma quinta-feira de fevereiro), e aí encontrava na escada da frente uma índia com umas roupas minúsculas, ridículas, morrendo debaixo da neve, e aí ele chamava a índia pra subir, ela fazia sua cama ao pé do aquecedor, os dois trepavam, comiam, ela não falava nada, nem um puto de inglês, e o cara vivia bem com isso, se ela falasse talvez não se sustentasse pela noite, mas ela ficava ali calada, e ele bebia até quase vomitar, mas antes disso dormia, até que no dia seguinte acordasse e visse que a índia tinha fugido, "the next day I woke up and she was gone. She obviously took my wallet, but then, she corrected the lyrics for me. She corrected and it was beautiful, I could never write anything like that. The paper was just lying there, on the floor, with those cute little prostitute letters all over it. The song that made my way, the fuckin' song you're just humming right now, and my indian never-seen-again lover, she wrote it". Talvez o que me falta é o frio, sempre vejo pessoas abrigáveis no frio, elas talvez topem uma caminha ao lado do aquecedor. Vou escrever a peça. Vou montar uma banda de jazz. Vou, vai vendo que vou.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 06:58 contato

2.3.09

MINAS, PALMA








posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 01:42 contato

27.2.09

MEUS FILMES PREFERIDOS EM 2008

Instado por uma discussão interna da Cinética, retomo uma listinha dos filmes que mais gostei no ano que passou. Um top 21, porque foram 21 os filmes para os quais dei 3 estrelas (a única obra-prima é o primeiro lugar, nos meus parâmetros). Mas seguem na indefectível ordem de preferência, com destaques fora-de-circuito no fim. Além do artigo publicado no livro Serras da Desordem - que não está disponível online, mas que você ainda pode comprar nas livrarias por aí -, escrevi sobre sete dos filmes listados abaixo, que seguem linkados em seus respectivos títulos. Minha lista:

1) SERRAS DA DESORDEM, de Andrea Tonacci
2) NÃO ESTOU LÁ, de Todd Haynes
3) A QUESTÃO HUMANA, de Nicolas Klotz
4) PARANOID PARK, de Gus Van Sant
5) UMA GAROTA DIVIDIDA EM DOIS, de Claude Chabrol
6) FIM DOS TEMPOS, de M. Night Shyamalan
7) FALSA LOURA, de Carlos Reichenbach
8) CLEÓPATRA, de Julio Bressane
9) ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO, de José Mojica Marins
10) WALL-E, de Andrew Stanton

E ainda:

11) SENHORES DO CRIME, de David Cronenberg
12) OS INDOMÁVEIS, de James Mangold
13) ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO, de Sidney Lumet
14) A ESPIÃ, de Paul Verhoeven
15) LUZ SILENCIOSA, de Carlos Reygadas
16) CLOVERFIELD – MONSTRO, de Matt Reeves
17) MEU NOME É DINDI, de Bruno Safadi
18) SHORTBUS, de John Cameron Mitchell
19) SPEED RACER, de Andy Wachowski e Larry Wachowski
20) CANÇÕES DE AMOR, de Christophe Honoré
21) JUÍZO, de Maria Augusta Ramos

Além de:

THE WIRE – 5ª TEMPORADA (HBO), DIÁRIO DE SINTRA, de Paula Gaitán (CineOP), SÁBADO À NOITE, de Ivo Lopes Araújo (Mostra de Tiradentes), AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO, de Miguel Gomes, NA GUERRA, de Bertrand Bonello, A FRONTEIRA DA ALVORADA, de Phillipe Garrel e OS AMORES DE ASTRÉE E CELADON, de Eric Rohmer (Festival do Rio)
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 18:19 contato

19.2.09

Efeito Chaves-Borboleta Toda vez que um crítico de cinema escreve "Não-Sei-O-Que-Lá é um filme sobre o amor", morre uma criancinha na China.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 19:44 contato

MINAS GERAIS, SENHORAS E SENHORES

- É um hotelzinho muito simples, viu, meu filho.
- Não, sem problemas. Eu só preciso de um lugar pra dormir mesmo. E como eu acho ele?
- Ah, você vai descer do ônibus e não anda nem 10 metrinhos. Tem um posto de gasolina desativado logo na frente, é ali.
- Dentro do posto?
- É. Essa crise, né, filho...
- Sei... E quanto é a diária?
- Olha, geralmente eu cobro 20 reais por pessoa, mas nessa época de festa eu cobro 25. Sabe como é, né, filho? Pra tirar um lucrinho a mais.

(eu, tentando arrumar um hotel em Palma, cidadezinha perdida nos arredores de Juiz de Fora, para onde alguém só pode mesmo ir passar o carnaval se estiver muito apaixonado)
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 18:39 contato

16.2.09

UM VALÉRIO ZURLINI PARA AS SEGUNDAS-FEIRAS


Verão Violento (1959)

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 12:20 contato

15.2.09

Factóide Mon Amour A mocinha bonita anuncia que devido a "longa duração" da prova esportiva exibida (a saber, uns caras descendo de bicicleta as escadas de Santos), terão que deixar pro domingo que vem uma entrevista com Túlio Maravilha e Denílson, e outra matéria sobre a demissão de Felipão do Chelsea. A matéria que fica é uma enquete: quem foi melhor, Zidane ou Zico? E por que os dois, se não há nada que os aproxime no estilo de jogar, nas posições que ocuparam e na história que fizeram no futebol? No fundo, é porque são dois nomes que começam com a letra Z, e assim se fazem quinze minutos de engodo, com direito a reportagem especial de Sônia Bridi diretamente da França, vídeos-opinião de espectadores, e um sem-número de gente desarticulada se colocando de um lado ou de outro dessa fronteira inexistente. A cabeçada na final da Copa do Mundo é exibida 8 vezes, o pênalti perdido na Itália só uma. Jornalismo esportivo para dummies.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 12:26 contato

12.2.09

CONVERSA DE BOTAS BATIDAS

SR diz:
sei lá... é difícil entender o que houve conosco... passamos tão pouco tempo juntos aí...

Rodrigo diz:
É, eu já disse algumas vezes antes, e digo de novo, que eu entendo muito bem o que houve comigo e como isso se refletiu em nós dois.

Rodrigo diz:
Mas a falta de tempo, é claro, foi um problema.

SR diz:
e o que houve contigo?

Rodrigo diz:
Esse não é o jeito de falar dessas coisas...

Rodrigo diz:
Aliás, acho que não preciso falar nada mesmo. As coisas já aconteceram, os rumos já foram tomados, e tal.

Rodrigo diz:
A memória do amor já ficou mais importante que o amor que sobrou, e é bom que seja desse jeito.

SR diz:
lindo isso...

Rodrigo diz:
É, eu digo umas paradas dessas de vez em quando...
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 22:42 contato

8.2.09

Sobre a Neblina O novo filme da Paula Gaitán já tem roteiro, locações, muitas idéias, e agora um site.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 13:43 contato

7.2.09

Ontem eu fiz 24 anos. Resta agora saber o que os 24 anos farão comigo.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 02:17 contato

20.1.09

Superkid A Lume Filmes está caminhando para o posto de melhor coisa que já aconteceu ao mercado de home-vídeo brasileiro, lançando os primeiros 4 filmes da Coleção Marginal, e para me agradar (devem saber que gosto, e tal), cometeram a licença poética de colocar um screen-capture exclusivo publicado aqui na Casa de Loucos tempos atrás para ilustrar a ficha de Meteorango Kid - O Herói Intergaláctico. E daí se é uma foto do Bertrand Duarte no Superoutro? É tudo filme de super-herói brasileiro mesmo.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 03:16 contato

15.1.09

PRA LÁ DA CURVA DO VENTO



O ano começou com uma assistência de direção no DocTV do Vitor Graize, Olho de Gato Perdido, filmado por 8 dias no interior do interior do Espírito Santo, onde até os telefones fixos não tinham sinal. A foto, cortesia de Raphael "Garoto" Araújo, mostra, de baixo para cima, uma carroceria de caminhonete, meus óculos novos, minha careca assando sob o sol e a Pedra da Agulha do Camelo ao fundo. E o céu não é de Photoshop.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 21:07 contato

2009, vamos lá.

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 20:57 contato

11.12.08

PARA O CASO DE UM DIA TERMOS SIDO
(um conto)


Foi só muito tempo depois que descobri que era ele. Quando surgiu na minha frente – e é verdade que estava de costas, mas estas são coisas que a memória revira e o destino nunca se ressente de nos apresentar assim, às avessas – quando surgiu na minha frente e o que podia ver era apenas sua nuca, o cabelo mal raspado e aquele resto de pêlo que escapa na direção das costas, ali não me pareceu tão decisivo, e certamente não o reconheci. Até que se virou, lançou o copo em minha direção como se me soubesse e me atravessasse, mas nem isso podia ser bem um sinal, posto que não fazia mais que responder ao grito não endereçado que eu mesmo dera logo há pouco: era eu, uma cerveja na mão, um “você aceita?” na boca, e agora o braço estendido, mas nem os sorrisos de cumprimento mais-que-suficiente para o contato primeiro entre dois estranhos, nem o olhar trocado e alguma piada estendida a qualquer um que ali estivesse (os outros garotos e garotas cujos copos eu agora também enchia), nem assim ainda éramos. Não mais que copos e um pouco de graça.

Aos garotos e garotas o álcool ia servindo de maneira mais implacável, e se ficamos por último, os últimos de pé naquele cenário de gente caída e mal articulada, também não foi ali que pude descobri-lo. Tomou-me o tempo que podia me falando de amenidades, cada um mantendo a fórceps os gestos contidos que, secretamente, imploravam por se precipitar, segurando na ponta dos dentes a conseqüência e o sentido dos discursos que agora proferíamos como ciência exata, e nem os dentes conseguiam impedir os leves soluços, o bafo quente da cerveja, a cara vermelha, os dedos amarelados pelo cigarro (filávamos o cigarro um do outro agora, mas nem assim, nem trocando cinzas eu ainda pudera perceber). Deve ter sido numa vez seguinte, na próxima garrafa que eu fazia sempre questão de abrir e servir – mantinha o abridor no bolso –, talvez tenha sido ali que abandonamos a faculdade, o vestibular, as rotinas, o passado daquele grupo e as maneiras como cada um de nós havia chegado ali naquela casa e naquela festa, e na cerveja seguinte a implacabilidade nos atingira. Mas era cedo para desmaiar, e por orgulho ou necessidade de sobrevivência, sentamos. Até a próxima cerveja, já nem existiam copos, só a graça.

Era ele, era Eduardo e eu já não entendia porque todos o chamavam por outro nome (que, suponho, fosse seu “verdadeiro”). Na soleira de uma porta, pernas coladas, olhos imóveis, atados entre si de maneira que já nem nos obedeciam, ele me falava de si – sem saber, talvez, que as palavras eram minhas, mas se esforçando bastante para perder o enunciado teatral, falava com tanta naturalidade que me fez rever minhas próprias críticas ao tom declamatório que, por vezes, percebia nos meus diálogos. Eu apenas o observava, e não posso dizer que não me divertia com tamanho mergulho no abismo daquilo que antes eram apenas folhas de papel num calhamaço que eu agora me perguntava se talvez não estivesse protegido o bastante, ou de que maneira aquele estranho tivera acesso àquilo? Entrei em seu pequeno exercício de simulação, e participava das histórias como se lá estivesse, na época e no lugar, atento a seus pequenos movimentos e seus grandes trejeitos (aquilo, talvez, eu devesse corrigir numa versão futura, me pareciam trejeitos demais). Estávamos juntos, no gramado da universidade, nas pedras que davam para o mar, na fuga desembestada para uma cidade qualquer – éramos ali, ele por dever e eu por pilhéria, dois fugitivos eventuais pegando carona para o interior, nos desviando de um amor mal traçado. Dividimos reuniões dos anônimos, e já não me lembro do que nos escondíamos, mas lá ele se apresentava e era aplaudido pela platéia (por “todos nós”), lá ele dizia seu nome, mas já não me lembrava daquele verdadeiro, só ouvia “Meu nome é Eduardo”, e via sua boca mexer e cuspir Eduardo na minha cara, seus braços se contorcerem e me entregarem Eduardo no colo, seu copo balançar no ar e me entornar Eduardo no peito.

Foi na soleira daquela porta, com os garotos e garotas perdidos para dentro da casa e o dia amanhecendo, com a cerveja no final e nenhum cigarro mais a filar, foi ali que descobri que era ele, o protagonista do livro que eu escrevia em segredo e que acumulava folhas na minha escrivaninha sem nunca saber exatamente se um dia veriam a luz daquele mesmo dia que amanhecia. Foi ali que descobri que os olhos que eu inventara eram na verdade castanhos (agora já não me lembro se fui assim tão específico na descrição, mas sempre os imaginei pretos). Ali Eduardo ganhou uma altura, um peso, uma cicatriz na dobra do cotovelo esquerdo, aqueles cabelos que certamente precisariam ser mais bem cortados uma vez que o livro chegasse às mãos de algum editor (sua revisora talvez reclamasse do aspecto infantil que lhe atribuía, mas agora já conquistado pelo cabelo mal raspado eu responderia: “mas este é um menino de 19 anos que sairá daqui e pegará o primeiro ônibus que aparecer, oras!”, algo que a revisora talvez nunca entendesse – eu mesmo não entendia). E eu já era capaz de defendê-lo em rigorosamente tudo, da voz embriagada como que por decreto até mesmo aquele excesso de trejeitos, agora apenas uma peculiaridade apaixonante, e quase perguntei onde tinha conseguido aquela cicatriz, uma vez que meu livro durava apenas alguns poucos dias e nesse intervalo eu não o submetera a qualquer acidente ou briga de facas, o que me fazia pensar que a cicatriz só podia ser parte do lastro que os atores precisam dar a seus personagens para fazê-los mais verdadeiros, um evento na infância que já não competia a mim, mas tão somente a ele, o Eduardo de nome falso na vida real, um moleque encrenqueiro dez anos antes, talvez.

Mas isso durou só até o momento em que os copos já estavam abandonados no chão e, com as mãos livres, nos tocamos pela primeira vez. Ele agora falava da família, e me parecia exagerar na necessidade de passado, mas antes que eu pudesse interrompê-lo e pedir que pulasse logo para o capítulo 14, aquele com o qual eu tinha mais ressalvas e que precisava aproveitar a chance para confirmar a potência literária através de sua encenação, e antes que eu pudesse interrompê-lo, segurou-me pelo braço e depois fez correr a mão até meu rosto, como quem precisa se escorar em alguém para não se espalhar pelo ar e sumir, e assim começou a chorar. Lembrei dos primeiros esboços do livro, da escaleta em que definia muito claramente que essa era uma prerrogativa do outro, seu parceiro no romance, nunca dele. Mas Eduardo chorava na minha frente, e apertava meu rosto como se exigisse o direito de fazê-lo – e por esse direito estivesse disposto até mesmo a me atribuir cicatriz igual a sua. Nem pretos nem castanhos, seus olhos tinham um jeito amendoado com um pé no verde, e na cor revelada pelas lágrimas pequenas e muito precisas (que bom ator ele era!), ou talvez pela luz que agora incidia sobre seu rosto (que mau observador eu era), ali ele foi se descolando do menino que eu escrevera, com uma violência que me irritava ao ponto do encanto. Suas adições ao meu enredo eram dissonantes, se não inverossímeis. Era preciso parar com aquilo, retomar fios e meadas, e não havia como chamar sua atenção se não oferecendo um pequeno sermão sobre a santidade do ato criador. Balbuciei seu nome, pela primeira vez em toda noite, muito gentil e cuidadoso para não me fazer equivocado, balbuciei seu nome e ele finalmente parou. Eduardo sorriu, e ainda com as mãos no meu rosto, segurou meu queixo como quem ensina uma criança a falar: “André, seu bobo”.

Nos beijamos. Corremos até um quarto desocupado, sem palavras, só cabelos mal cortados, cicatrizes, braços estendidos, cuspidos e entornados um no outro. Meu protagonista tinha gosto, e já não era meu, nem protagonista. André se despediu com um abraço longo, eu fui procurar as chaves do carro. Não nos vimos mais. Voltava para casa, sol totalmente descoberto, música alta e o gosto na boca. Minutos depois, já na rua, longe da festa e da casa da festa, vi um ônibus indo para algum lugar distante. André apareceu pelo vidro, estava fugindo, finalmente. E eu voltava para casa, para queimar uma pilha de papéis na escrivaninha.

Rodrigo de Oliveira

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 02:31 contato

9.12.08

Cheiro de ar 20h no Rio de Janeiro, e só agora a noite se fez completamente. Verão carioca, muito prazer, pode entrar.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 20:08 contato

3.12.08

Lambe-lambe Fui renovar a carteira de motorista no centro da cidade, e pra isso precisava de novas fotos 3x4 (as últimas, de 5 anos atrás, eram de outro rapaz: cheio de cabelo, sem barba, sem rugas de expressão). Chego no lugar, uma lojinha pequena de porta de ferro e piso aqui-já-funcionou-um-boteco. Há uma antesala, formada pela divisão do ambiente único por uma cortina sem-vergonha de tão barata (verde, estampa de bambus). Na "sala de espera", uns poucos retratos na parede, de crianças e mal tirados. Abre-se a cortininha, e o fotógrafo, um senhor de 60 e poucos anos, me avisa que há uma cadeira ali e que o cliente atual já está terminando. Daí chego ao "estúdio": um rack desses das Casas Bahia, uma Nikon automática, um computador e o Photoshop aberto. O cara antes de mim paga os 10 reais pela foto feliz da vida: diz que remoçou uns 20 anos com os retoques virtuais do fotógrafo. Quando chega a minha vez, nada da postura ereta mantida na base da força, nada dos intermináveis toques e retoques na posição do rosto até que a coisa fique do jeito certinho, nenhum daqueles guarda-chuvinhas rebatendo um refletor pra suavizar as luzes na pele, nada. "Fica de pé, que é melhor", e pá!, flash na cara, como se fosse uma foto de cadeia ou de fotolog vagabundo. Mas depois vinha a magia: mexendo no mouse com uma velocidade que não vejo nem no mais recrudescido dos nerds, o senhorzinho fez de um tudo. Tirou uma espinha do meu queixo (quase tira a pinta debaixo do meu olho, se eu não aviso), passou um "blush" que me deixou com cara de bebê, sugeriu que eu trocasse a camiseta preta simples por algo "mais importante", como um terno (no arquivo dele existem vários, todos Armani), e só não brincou mais porque o próximo cliente já estava ansioso ali do lado para saber como seria sua própria transformação. 3x4 impresso, olho, olho, e o cara da foto parece a versão capa-da-Nova de mim mesmo.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 20:38 contato

2.12.08

Encontros cósmicos O mundo dá voltas e se encaminha, até que uma amiga minha, que herdara a geladeira usada por Paulo Leminski para guardar suas cervejas, firma o namoro com outro amigo meu, que acaba de ganhar a câmera Super-8 que foi, por 30 anos, do Paulinho da Viola.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 11:04 contato

30.11.08

"SEU NOME, PEDRA DE SAL NA MINHA BOCA"


Rafael Rodarte, Malu Galli, Caetano Gotardo, Areia

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 19:54 contato

29.11.08

Porra doce Porque todo mundo tem seu dia de Nome Próprio.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 02:34 contato

24.11.08

Fórmula do sucesso de um escritor da madrugada Coca Cola gelada + Lucky Strike mentolado = câncer twist.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 02:11 contato

23.11.08

Dia 12 da Nova Era do Aquecimento Global Já começo a me esquecer como o sol se parecia, na época em que não chovia. Vocês lembram? Tinha uma coisa meio brilhante, amarelada. Era bonito...
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 15:56 contato

20.11.08

IR AO CINEMA, por Preston Sturges










Sullivan's Travel (1941)

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 00:19 contato

19.11.08

O Brasil ainda tem jeito Em Todo Seu, programa de variedades que passa todo dia na TV Gazeta, Ronnie Von está recebendo neste momento o Magic Slim (digamos assim: depois do Muddy Waters, vem ele). Na tevê aberta, numa noite de quarta-feira, tocando ao vivo com a banda inteira.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 23:00 contato

A ex-capital Will Oldham (a.k.a. Bonnie "Prince" Billy) vem ao Brasil essa semana para tocar em São Paulo, Salvador e Porto Alegre. Mas o Rio, vivendo seus dias de província, disse "obrigado mas não, obrigado". Com o verão batendo na porta, a cidade bem poderia usar um pouco de boa música folk para aliviar a soberania das periguetes, descontroladas e congêneres.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 19:14 contato

18.11.08

Police+business "Sorte de hoje: Jogue com esses números na loteria: 5, 12, 39, 43, 62, 87". Depois de ser dominado por brasileiros, o Orkut trabalha agora para que alguns deles fiquem milionários e, aproveitando a onda do momento, matem-se uns aos outros na briga pela divisão do prêmio, tenham seus perfis apagados (depois de um período obrigatório de luto, é claro) e finalmente diminuam os problemas de sobrecarga do servidor. E ainda tem gente que se pergunta porque o Google é a empresa que mais cresce no mundo.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 19:49 contato

17.11.08

A maior democracia do mundo "Qualquer presidente deve ter normalmente uns 30% de chance de ser morto. Ele, sendo negro, tem uns 50%." (Robert Drew, o diretor de Primárias, em entrevista à Folha)
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 16:00 contato

Ode à blogosfera A pior coisa de um cara feito eu comer uma estrela pornô pela primeira vez na vida numa madrugada de domingo é que não se tem ninguém por perto para contar a notícia depois.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 04:40 contato

14.11.08

Na rua e na chuva Anteontem, na volta para o Rio, escrevi uma música no ônibus. A primeira que componho desde "Anjos no Elevador", meu juvenil e ainda inédito hit de oito anos atrás, quando eu era um moleque, tinha uma banda e precisava dizer para a minha namorada que ela tinha que gostar de mim maluco daquele jeito mesmo, e onde eu rimava "amor" com "dor". Esse caminho entre o Rio e Vitória eu conheço bem, são quatro anos indo e vindo, e noites como aquela, lua cheia, céu aberto e claridade irremediável, simplesmente pedem por algum tipo de poesia de beira de estrada. Foi o caso de meu fone de ouvido parar de funcionar no meio do disco do Bon Iver, e então éramos eu e a falta de sono, com o monte da Freira e do Frade passando pela janela. Peguei um papel e comecei a escrever cantarolando, como fazem aqueles que não tocam nenhum instrumento. O resto do caminho eu vim pensando em comprar um violão. Era uma promessa desde que fiz meu filme sobre o Bob Dylan, em outubro do ano passado. Não comprei, não aprendi, e a única coisa que sei tocar ainda é "True Love Waits", do Radiohead, graças a paciência do meu amigo Zé (que agora é um publicitário bem de vida em São Paulo e talvez nem toque mais "True Love Waits"). Comprar um violão e aprender a tocar sozinho, músicas de poucos acordes, até conseguir preencher de notas aquela que escrevi ali no ônibus, enquanto a lua brincava de mudar de lado a cada curva. Mas aí o Hyldon acabou de me mandar um convite para o MySpace. E agora que tenho um, tá feito: projeto 2009 - lançar uma carreira voz-e-violão.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 02:20 contato

12.11.08

Giramundo E aí que "Evaporar", última música do Little Joy, bem poderia figurar em Sou. O que nem na cabeça mais ingenuamente esperançosa do mundo queira dizer que Amarante e Camelo algum dia voltem a tocar na mesma banda. "For no ones better sake", se é que vocês me entendem.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 20:41 contato

11.11.08

O should've-been negão Num universo em que as pessoas fossem decentes e George Bush fosse um bom presidente, seu sucessor ideal seria também negro. Não deu pro Colin Powell, mas essa entrevista dele pós-eleição de Obama diz muito sobre o grande político que ele ainda não pôde ser completamente (sobretudo por não conseguir se livrar das más companhias). Num universo ideal, também, ele seria o próximo Secretário de Defesa do novo comandante-em-chefe.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 22:00 contato

6.11.08

Pokémon de Jesus Acabo de chegar em Vitória, numa passagem super rápida. Venho a convite dos meninos queridos da Segunda-Feira Filmes para participar de um debate da mostra itinerante José Dumont - O Homem Que Virou Cinema, que acontece nesta sexta-feira (mais conhecida como amanhã, dia 7), junto do Erly Vieira Jr. e do próprio Zé Dumont, o que só pode garantir um excelente papo e uma esticada ainda melhor num bar qualquer. Quem estiver na cidade, apareça por lá: sexta, 21h, no Cine Metrópolis (e, de lambuja, às 19h ainda será exibida a cópia restaurada de O Homem Que Virou Suco, grande filme do João Batista de Andrade e primeiro protagonista no cinema do Zé).
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 07:06 contato

5.11.08

God bless the child that's got his own Comprem o The New York Times de hoje. Em 40 anos, valerá uma pequena fortuna.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 05:37 contato

4.11.08

Caderno de sonhos Eu cantava numa banda, e nós fazíamos um show numa espécie de clube de funcionários de alguma empresa. Numa hora, no solo do tecladista, vou correndo ao banheiro do camarim. A porta da privada está fechada, então vou ao mictório logo do lado. Ouço o barulho da descarga sendo puxada sem interrupção, e o som de borbulhas na água: resolvo checar. Quando abro a porta, vejo dentro da privada um pequeno corpo completamente mergulhado, boiando, todo coberto de merda. Chego perto daquilo que seria a cabeça daquele corpo, e a levanto: é um bebê, e com a cabeça fora d'água ele puxa o ar como quem ainda não acha que é hora de morrer. Retiro o bebê da privada, ele respira muito mal, os olhos estão prestes a se apagar. Correndo pelo palco, vou com o bebê no colo para a rua, buscando um táxi para me levar a um hospital. Quando vêem a situação (rapaz desesperado com bebê no colo, ambos fedendo a merda), todos os taxistas se negam a nos apanhar. Finalmente entramos num carro, e agora o bebê está melhor. Ainda que parecesse pequeno na privada (do tamanho de um feto, talvez), agora ele tem o tamanho de uma criança de dois anos, e já fala muito bem. Pergunto sobre o pai, ele não sabe responder. Pergunto sobre a mãe, e ele me diz em inglês: "shot dead in the face". É quando passamos por uma cena na rua, uma ambulância retira de uma casa o corpo de uma mulher com o rosto destruído por um tiro. O garoto (é um menino, e agora parece uma criança de cinco anos) vai à janela do carro e se despede com um aceno do corpo morto da mãe. Depois me abraça. Quando chegamos ao hospital, ele já tem dez anos, e me chama de "pai". Depois de alguns dias internado, ele já está finalmente curado. A enfermeira vem me entregá-lo, saído direto da incubadora: meu novo filho voltou a ser um recém-nascido, lindo, olhos abertos, respiração vibrante, descobrindo meu rosto com suas mãozinhas. Volto para o show, e o solo do tecladista ainda não terminou. Canto a última parte da música com minha criança nos braços, para o delírio da platéia.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 09:47 contato

27.10.08

Umas coisas Estou partindo agora para Juiz de Fora, onde passo a semana dando uma oficina de crítica no Festival Primeiro Plano. Mando notícias de lá, e de lá, sobretudo, pretendo colocar aqui no blog um empenho que tem me faltado nos últimos tempos. Passadas as eleições, não é uma promessa de campanha que faço aqui: é mais um lembrete público de mim para mim mesmo, com vocês aí como testemunhas. Veremos, então.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 11:58 contato

O desenho Este gráfico com os resultados de Eduardo Paes e Gabeira em cada uma das zonas eleitorais do Rio, começando no subúrbio e terminando na Zona Sul, é a coisa mais interessante desta eleição. O desenho é lindo: eis ali a verdadeira cidade partida.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 03:12 contato

20.10.08

LA FEMME QUI REGARDE






Nastassja Kinski em O Fundo do Coração (Coppola/1982)

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 09:32 contato

17.10.08

Aristocracia carioca O longo perfil que escrevi para a Revista Zé Pereira sobre o grande montador do cinema brasileiro, Severino Dadá, está finalmente publicado online, na íntegra. Quem não comprou a revista na época pode ler o troço aqui.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 08:04 contato

12.10.08

A gasolina, a margarina, a carolina, a sertralina "Reações adversas: pesadelos, agressividade, amnésia, apatia, delírio, depressão, depressão grave, euforia, alucinação, reação paranóica, planejamento e tentativa de suicídio, ranger de dentes, pensamentos anormais, histeria, sonambulismo e síndrome de abstinência".

Deveria haver um placar anexado à bula, onde se pudesse marcar a contagem de cada uma das reações (adivinha qual estaria ganhando? "ranger de dentes", disparado). Mas de todas as coisas que o remédio devia me curar e ele, na verdade, pode até agravar o quadro, a única que não perdôo são os "pensamentos anormais". Isso eu faço questão de continuar tendo. É, afinal de contas, o que separa os meninos dos homens [malucos].
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 03:44 contato

5.10.08

Dia de santinho Desde os 16 anos, quando tirei o título de eleitor, só votei uma vez: na primeira vitória do Lula, em 2002. Nesse intervalo de 8 anos, sempre estive fora do meu domicílio eleitoral nas outras eleições. Os primeiros turnos sempre acontecem durante o Festival do Rio, os segundos turnos durante a Mostra de São Paulo, e a democracia brasileira respeita a todos, menos a cinefilia desvairada. Em 2006 estava na Avenida Paulista pulando e enchendo a cara com cinqüenta mil petistas, enquanto o Lula e a tchurma dele estavam no palco em frente ao prédio da Gazeta. Mas foi justamente para assitir um filminho qualquer (digamos, um Manoel de Oliveira) ali embaixo, na sala do Reserva Cultural, que eu passei pelo barulho mais constante nestes meu anos de penetra na festa da democracia: andar pelo corredor de uma seção eleitoral que não é a minha, e ouvir o apito da maquininha de votar, confirmando candidatos que não são os meus. É uma sensação de civismo manchado, constrangido, quase como se eu fosse um militante nacionalista histórico ou neto do Ulysses Guimarães e estivesse traindo a luta de uma família. Dura só uns 2 segundos, ainda bem. Daí agora acabei de preencher minha folha de justificativa eleitoral, pela primeira vez em casa, via internet. Coisa tão simples, mas que me fez dar um sorriso do tipo "uau, isso está acontecendo no Brasil", como se fosse realmente algo muito significativo ou algum grande avanço na área da tecnologia. O sorriso durou até menos de 2 segundos, ainda bem.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 12:04 contato

21.9.08

BESSIE SMITH E A RAYUELA

Boomp3.com


“Ronald e Babs começaram a rir, não se sabia bem por que, e Ronald procurou no monte de velhos discos. O disco crepitava horrivelmente no prato da vitrola. Alguma coisa começou a mover-se no fundo, como bolas e bolas de algodão entre a voz e os ouvidos. Era Bessie, cantando com uma mordaça na boca, metida num cesto de roupa suja, com a voz saindo cada vez mais afogada, uma voz colada aos trapos sujos e clamando, sem cólera nem esmola, I wanna be somebody’s baby doll, uma espécie de súplica rouca, uma voz de esquina e de casa cheia de avozinhas, to be somebody’s baby doll, mais quente e envolvente, arquejando sem cessar I wanna be somebody’s baby doll...”

(Julio Cortazar em O Jogo da Amarelinha, capítulo 12)
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 19:20 contato

O que separa os meninos dos homens Você percebe que está dobrando a esquina da vida quando finalmente consegue entender o que o Zé Ramalho queria dizer com "meu treponema não é pálido nem viscoso".
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 18:25 contato

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